quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Posse da Presidenta Dilma Rousseff será marcada por vários shows populares!


Posse de Dilma terá shows populares

A Fundação Cultural Palmares (FCP) e o Ministério da Cultura (MinC) vão realizar no dia 1º de janeiro, em Brasília, shows para a festa da posse da presidente Dilma Rousseff e do novo governo federal. As apresentações, que começam às 10 horas, terão entrada franca e vão até as 21h, na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes.

Das 10h até o meio-dia, haverá apresentações de grupos infantis, com mamulengos e pernas de pau. Já os shows musicais, também começam às 10h e vão até as 14h, divididos em quatro tendas montadas na Esplanada, que homenageiam as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. No encerramento dessas apresentações, os artistas se unirão em um só cortejo cívico-cultural, que irá saudar a presidente Dilma Rousseff, entoando o Hino Nacional Brasileiro.

Após a cerimônia da posse, que acontece das 18h30 às 21h, será a vez do show “Cinco ritmos do Brasil”, com as cantoras Elba Ramalho, Fernanda Takai, Gaby Amarantos, Mart´nália e Zélia Duncan, no palco Centro-Oeste, localizado na Praça dos Três Poderes.

Simultaneamente à festa da posse presidencial, haverá também um palco na Esplanada dos Ministérios onde será celebrada a posse do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O palco GDF receberá atrações de Brasília, São Paulo e Pernambuco.

A programação completa das tendas e shows do dia da posse está disponível no site do Ministério da Cultura.

Projeto Arena Brasil
Os shows da posse presidencial serão os primeiros do projeto Arena Brasil, série de grandes eventos planejados para 2011, um em cada região do país, sempre em datas cívicas. A Confraternização Universal, lembrada no dia 1º, inspirou os organizadores a promoverem a celebração da identidade cultural brasileira, com participação de grupos de cultura afro, manifestações indígenas, hip-hop, música de todos os ritmos, dança e cultura popular, vindos de diferentes estados.

Além dos shows da posse, o MinC e a FCP programaram outros quatro shows para o ano que vem. O próximo será na Região Nordeste, no dia 22 de abril, para comemorar a data que marca o Descobrimento do Brasil. No dia 11 de agosto, a Consciência Negra será lembrada com a chegada do projeto ao Sudeste. O 7 de setembro será celebrado no Sul e o 15 de novembro, na Região Norte.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Na festa da nova sede, UNE prepara homenagem a estudante desaparecido

Painel em homenagem ao estudante Honestino Guimarães, desaparecido em 1973, durante a ditadura militar no Brasil

A diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) prestará nesta segunda-feira (20/12), no Rio de Janeiro (RJ), uma homenagem ao estudante Honestino Guimarães, símbolo da luta do movimento estudantil durante o período da ditadura militar. Honestino será lembrado pela entidade com um painel de seis metros de altura e 18 metros de largura, colocado no terreno onde ficava a sede da UNE na Praia do Flamengo, 132, no Rio. Além desta homenagem, o local contará com banners de dois metros de altura que permitirão ao visitante um passeio pela história da UNE, fundada em 1937.

Na última sexta-feira, o governo federal liberou R$ 30 milhões para as obras da nova sede da UNE. O presidente Lula irá ao local na segunda-feira (20/12) para lançar a pedra fundamental da nova sede, que será construída a partir de um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. Veja o vídeo:


Honestino Monteiro Guimarães, que está sendo homenageado pela UNE, foi preso no Rio de Janeiro em 10 de outubro de 1973 e, desde então, nunca mais foi visto. A mãe de Honestino chegou a ser avisada, em dezembro, que ele estaria preso em Brasília e que ela poderia visitá-lo no Natal, mas a notícia foi desmentida em seguida. A família do estudante nascido em Itaberaí (GO) em 1947, que se mudou com a família para a nova capital Brasília em 1960 e lá participou intensamente do movimento estudantil, jamais teve notícia do seu paradeiro.

Fonte: Do Blog do Planalto

Serviço do Blog Café do Elias:


Conheça um pouco da História do Movimento Estudantil contada com o apoio da Petrobras e Rede Globo.


Conheça a História da Sede da UNE e o Terreno na Praia do Flamengo 132, além de outras histórias da Movimento Estudantil contadas pelas historiadores Angélica Muller e Carolina Ruy.


Conheça também a História do Acampamento (Sede Provisória) da UNE após a Retomada do terreno pelos estudantes em 2007.



Fontes: EstudanteNet

domingo, 19 de dezembro de 2010

(Avoidind Politics?) - "Velhos amigos saúdam o novo ministro da Justiça"

A matéria abaixo foi extraída do Site Consultor Jurídico e estou postando aqui, pois entendo que representa duas dimensões da Política. Primeiro, a oxigênação ideológica por meio da ascenção de novos quadros ou grupos políticos ao porder, mesmo que esperado a continuidade do projeto político vinculado a pasta. Segundo, a representação de uma agir político permeado pela útopia que não morre, antes se renova e reinventa práxis [cultura] política. Nas palavras da minha pseudo-"xará" Nina Eliasoph:

Emile Durkheim (1965[1915]) says that rituals offer members a representation of the group, showing the group to itself in a concrete form, giving the group a name and a body. Rituals indirectly honor society itself, as the source of all meaning. Without direct acknowledgment and celebration of the bonds between people, sentiments os glad solidary dry up, and a healthy society falls apart.
 
("Avoiding Politics" - Nina Eliasoph)

Velhos amigos saúdam o novo ministro da Justiça

 
Zé Eduardo, Marco Antonio Marques da Silva, Toron e Tzirulnik - ConJurUma plêiade de juristas ilustres reuniu-se na quinta-feira (16/12) para render suas homenagens ao futuro ministro da Justiça, o emérito José Eduardo Martins Cardozo. Desembargadores de São Paulo e de Minas Gerais, célebres criminalistas como Alberto Zacharias Toron, Roberto Leal de Carvalho, Sérgio Salomão Shecaira e Miguel Reale Júnior e civilistas como Ernesto Tzirulnik, Fábio Ulhoa Coelho e Judith Martins Costa. Foi uma celebração dos ex-alunos da PUC. (Na foto, da esquerda para a direita: José Eduardo Martins Cardoso com Marco Antôno Marques da Silva, Alberto Zacharias Toron e Ernesto Tzirulnik)

Dito desta maneira e nesse tom, tudo parece muito formal e solene. Mas o grupo que se reuniu no apartamento do advogado Tzirulnik é de amigos de longa data. Amigos mesmo. Militaram juntos no movimento estudantil. Sofreram e se divertiram juntos. Quase o tempo todo do mesmo lado e sempre contra a ditadura.

Muitos abraços - ConJurNo começo, era o Grupo Opinião, fundado, entre outros, pelo depois deputado José Mentor. Dele participavam Wagner Balera, Henrique Sampaio Pacheco e, entre outros, o futuro jornalista Bruno Blecher. Quando José Eduardo Martins Cardozo era presidente do Centro Acadêmico 22 Agosto, surgiu a dissidência do Debate, cujas estrelas eram Cardozo, Tzirulnik, Toron, José Renê, Eduzinho e Beth Akemi.

Eram os anos de chumbo. Toda atividade política fora criminalizada. A expressão "direitos humanos" à época era uma provocação. A escuridão tomava conta do país. Esses amigos, quando na ofensiva, envolviam-se juntos em iniciativas contra o "sistema"; quando na defensiva, apoiavam-se uns nos outros.

Na festa de quinta, fotos em branco e preto daqueles anos circulavam de mão em mão. Magros, barbudos e cabeludos os hoje respeitáveis senhores exalavam idealismo, fraternidade e juventude.

Como no poemeto "Quadrilha", de Drummond, cada um seguiria seu rumo, mas sem romper os laços daqueles anos. José Eduardo, o Zé, presta concurso e passa para ser procurador do município. Em primeiro lugar, pelo que lembram os colegas. Mesmo sendo do PT, é convocado para chefiar a assessoria jurídica da Secretaria de Negócios Jurídicos, então comandada por Cláudio Lembo. O prefeito era o inefável Jânio Quadros. Mas Cardozo servia São Paulo, claro.

Erundina vira prefeita e escolhe José Eduardo como secretário de Governo. Tempos bicudos. As melhores ideias já apresentadas para administrar uma megalópole foram obstadas pelo neófito PT de então, associado ao fisiologismo da larga porção conservadora da Câmara de Vereadores. O redator deste texto, então editor de política do Jornal da Tarde — publicação dirigida pelos Mesquita do Estadão — testemunhou algo inimaginável. O establishment anti-petista trabalhando por Erundina e o partido da prefeita atrapalhando a correligionária. Genoíno e Lula faziam de tudo para apoiar a prefeita. Em vão. Mais tarde Erundina deixaria o PT.
Amigos para sempre - ConJur
(Acima: João Alves da Silva, o Jacaré; Henrique e Ernesto Tzirulnik; Alberto Toron; Zé Eduardo; Fábio Ulhoa; e Roberto Leal)

José Eduardo perdeu pontos no PT por investigar seriamente patifarias atribuídas ao partido, como o caso Lubeca. Mas não perdeu as cores. Torna-se vereador e no segundo mandato faz uma gestão inatacável como presidente da Câmara Municipal. Eleito com a segunda maior votação do estado, Zé Eduardo enfrenta a sombra crepuscular do correligionário mais votado, José Dirceu — hoje fora do governo. José Eduardo Martins Cardozo vai ser ministro da Justiça, com o aplauso dos mais renitentes inimigos do PT.

Na festa de quinta-feira (16/12), os antigos colegas não cansavam de incensar seu passado. Um cara sereno. Tinha o respeito da militância esquerdista mas também a admiração dos adversários. Não por acaso. "Ele era, simplesmente, o melhor aluno em tudo", lembra Alberto Zacharias Toron. Havia prêmios à época. Cardozo faturaria na área de Processo Civil, Penal, Administrativo... "Confesso que colei muito do José Eduardo", ri-se Toron. Graduado, o futuro ministro da Justiça fez-se professor da PUC. No curso de mestrado, entusiasmados com Norberto Bobbio, em um tempo que o autor era quase desconhecido por aqui. José Eduardo incita e seus colegas topam: vão estudar italiano italiano na Casa de Dante.

Há alguma divergência sobre o ranking dos mestres que mais os marcaram, mas todos lembram com fervor de Osvaldo Aranha Bandeira de Mello; seu filho, Celso Antonio; Hermínio Alberto Marques Porto; Pedro Cunha; e Ronaldo Porto Macedo. Fazem parte desse Panteão, Tércio Sampaio Ferraz e Cláudio Ferraz Alvarenga.

Como aluno e como amigo, José Eduardo era uma unanimidade, dizem em coro seus colegas. Tranquilo, bem resolvido, sério. "Nós ainda vamos trabalhar para esse cara", dizia Ernesto Tzirulnik.

Nem foi por acaso que a reverência ao amigo reuniu antípodas ideológicos como Miguel Reale Júnior, Denise Frossard e artistas como José Domingos, Ulisses Souza, Toninho Ferraguti que, ao final da festa, se refestelaram com uma aplaudida apresentação, ao piano, do garoto prodígio, José Eduardo Martins Cardozo.

*Do elenco citado faltaram os nomes de Gilberto Bercovici, professor titular de Direito Econômico da USP, Alessandro Octaviani, professor doutor na mesma universidade, além de Eduardo Fanganiello de Carvalho Fernandes, o Eduzinho Prefeito; José Renê Pires de Campos, o Zé Renê; Marco Antônio Marques da Silva, o Itapê (hoje desembargador do TJ-SP), Ana Amelia Mascarenhas Camargo; Walter Lacerda; Edgard Pena Amorim Pereira, o Edgarzinho (hoje desembargador do TJ-MG); Juca Novaes; Marcelo Camargo, o “Marcelo Bandido”. E outros heróis juvenis que não sabemos onde estão...

Velhos tempos - ConJur

Foto de 1978, diante do Tuca, antes de um pindura no Paulino e em seguida a homenagem feita a professores cassados, como Florestan Fernandes, Paulo de Tarso Santos e Fernando Henrique Cardoso. Entre outros, pode-se ver na imagem Ernesto Tzirulnik, Zé Renê, Toron, Paulo de Tarso, Lessa, Miguel, Paulo, Irrene, Chiquinho, Inês, Renato, Sampaio, Ana Maria, Graça, Totonho (irmao do Mentor), Henrique Pacheco, Márcia, Andreas, José Mentor, Marques, Agamenon, Wagner Balera, Nelsonho, Sérgio Z, Rubnes e Bruno Blecher.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Momentos Decisivos - GDF..!!



Pessoal,

Reproduzo abaixo um e-mail que enviei para uns amigos interessados na política do DF e Federal. A idéia inicial era apenas escrever umas cinco linhas dando conta do que já se passa nos jornais, mas achei que o resultado texto ficou interessante e como eu precisava postar algo no Blog também, juntei o agradavél ao útil:

Até pouco tempo atrás parecia uma eternidade, mas enfim é chegado o momento do NOVO GOVERNADOR anunciar seu SECRETARIADO..!! Assim, como Dilma! Agnelo prometeu anunciar os nomes que irão compor o PRIMEIRO ESCOLÃO DO GOVERNO (pelo menos os principais) até o dia 15 de dezembro (dia da diplomação dos canditados eleitos)...!!!

Então....entre hoje e amanhã Dilma pretende revelar os 21 ministros faltantes.....e aqui no DF o Agnelo também deve soltar os nomes..!! Fiquem ligados...!!

No LEGISLATIVO.....a despedida começa essa semana, como os recessos na Câmara Legislativa - DF e no Congresso...!! Todo mundo ligando com os último lances do ORÇAMENTOS e os PROJETOS DE LEI....de prioridade do Governo que podem passar antes da porteira fechar..!!!

Fechado o anúncio do PRIMEIRO ESCALÃO do governo federal e GDF (time titular).....o meio de campo começará a ficar claro, assim como a tática e o jogo a ser jogado..!!

No EXECUTIVO é o momento então.....de retomar novas rodadas de conversa, agora para composição efetiva das áres de governo, anuncio dos nomes do SEGUNDO e TERCEIRO ESCALÃO  e a definição das primeiras ações prioritárias...!!!

No LEGISLATIVO....os parlamentares aproveitam as férias para, além de garantir suas indicações na composição de pastas....fazerem os acordos para eleição da Mesas das Casas Legislativas (moeda de barbalha)..!!!

RESUMINDO.....nos próximos dias, piscou o olho é certeza de perder o lance....restando assistir o REPLAY da jogada....!!!

PALPITES a conferir..!!

domingo, 21 de novembro de 2010

O Governo do Distrito Federal e os "Conflitos na transição governamental" - O Clima na Bliblioteca Nacional


          Nessa semana que passou, participei de uma das reuniões da equipe de transição do GDF que está trabalhado arduamente na sede da Biblioteca Nacional de Brasília, mas especificamente do grupo responsável pela transição na área de Políticas Públicas de Juventude - PPJ. Acabei não ficando muito tempo ou até o final da reunião, por conta de outros compromissos. Mas no pouco tempo que fiquei já deu pra perceber várias coisas, tais como: dificuldades por conta da estrutura improvisada; poucas ou restritas informações e dados oficiais sobre as ações de governo; e muitas dúvidas sobre o próprio processo de transição, principalmente sobre as possibilidade e potencialidades.
 
          Para contribuir com esse processo e colaborar com as discussões sobre essas temas, aproveitando que agora estou com um pouco mais de tempo livre, pensei em escrever uma série de postagens abordando várias das questões que tenho observado. Mas pra começar, escolhi reproduzir um texto do Maurício Romão, originalmente publicado em 2008 no Blog do Magno Martins, mas que guardada as devidas proporções de tempo e espaço, revela muito do clima que envolve o processo de transição no DF.
 
Conflitos na transição governamental

Maurício Costa Romão*
mauricio-romao@uol.com.br

A transição governamental é um processo em que se estabelece entre os governantes – eleito e atual – um entendimento político-administrativo através do qual se repassam ao governo sucedâneo informações e dados básicos sobre a situação financeira e administrativa da máquina pública cuja gestão está prestes a se encerrar.

O maior interessado na transição é sempre e invariavelmente o novo governante, que quer começar sua gestão com o maior conhecimento e domínio possíveis sobre o contexto financeiro, administrativo e organizacional que moldura a estrutura do executivo. E é natural que assim seja, posto que nos primeiros dias de governo é normal o acionamento de várias medidas de importância para a nova administração. Não fora as informações colhidas do período transicional e o governante-eleito estaria meio que às cegas no início do mandato.

Infelizmente, o que deveria ser um processo natural e saudável do convívio democrático, termina por se constituir, em muitos casos, em pano de fundo para o acirramento das divergências entre os grupos que disputaram a eleição recém finda.  Toda transição é sempre conflituosa, umas mais, outras menos, mesmo quando ela ocorre entre agrupamentos que são de uma mesma facção político-partidária.

Considerando-se, por exemplo, que a disputa se deu entre correntes contrárias e a vitória coube à oposição ao atual governo, os motivos que estão por trás dos desentendimentos acima mencionados são, na verdade, de natureza política, mas aparecem travestidos como resultantes, principalmente, de interpretações dadas pelas duas gestões, a atual e a substituta, aos dados e informações coletados, e de divergências entre as duas equipes sobre o formato operacional da transição.

O filme, já tantas vezes assistido, tem variações de cenários e atores, mas o enredo permanece virtualmente inalterado, e se passa mais ou menos assim:

O comando dirigente atual busca se apresentar à opinião pública, ao final do mandato, como tendo realizado uma administração austera, realizadora, gerencialmente competente, etc. deixando, ademais, o executivo financeiramente equilibrado ou muito próximo disso, conforme, aliás, diz a equipe ainda em exercício, demonstram os dados entregues à equipe de transição, muitos dos quais já antes divulgados à grande imprensa.

O novo governo, por seu turno, mesmo reconhecendo certos avanços ocorridos, alguns até significativos, outros apenas parciais, vai negar de forma peremptória o que está sendo noticiado pela administração vigente, argumentando que os poucos dados coletados, os quais, afirma a nova equipe, foram extraídos a fórceps, mostram uma situação diametralmente oposta a que ora se propaga, etc. etc.

Ao antigo governo não interessa, obviamente, expor sua administração, agora e no futuro, à senha difamatória dos recém eleitos, admitindo, por pequenas que sejam, fragilidades administrativas e financeiras ao final do mandato. Daí porque tenta enaltecer seus feitos e números de forma a mais favorável possível. À nova equipe, não compete, por ilógico, sob nenhuma hipótese, aceitar como verdadeiros os argumentos e números do executivo atual, sob pena de, em assim fazendo, submeter-se a cobranças de desempenho semelhante, mais à frente, quando serão inevitáveis os confrontos comparativos de gestão.

Mas, as divergências, a rigor, começam antes mesmo do confronto de interpretação de dados e se manifestam, tácita ou explicitamente, quanto ao processo transicional em si, quanto ao seu “modus operandi”. Seja porque o novo governo, no julgar do atual, está apressado e quer ditar norma e ritmo dos trabalhos (começar a varredura de informações o quanto antes, em prazos tais e quais, naquela dada sistemática, realizar as reuniões em tais locais, ouvindo esse e aquele dirigente, etc.), seja porque está havendo exigência descabida dos futuros mandatários de solicitar dados que são de difícil coleta em espaço exíguo de tempo, ou que não devem ou não podem ser fornecidos no período inicial da transição, e por aí vai.

Na visão do governante em exercício, o que embala a movimentação frenética do novo mandatário é, na verdade, a ânsia de começar o governo dele antes de terminar o que está em curso. E isso não vai ser admitido em hipótese nenhuma. Trata-se de uma interferência indevida e inadmissível. O mandato que foi conferido ao atual chefe do executivo se encerra no dia 31 de dezembro e, até lá, ele é o governante. O recém eleito que espere sua posse para fazer o que quiser e bem entender. Antes disso, não. Vai ter que aguardar.

Para a facção eleita, o que está por trás da resistência do atual dirigente é o receio de mostrar de forma transparente os dados de sua gestão à frente do executivo, por motivos óbvios: sua administração foi simplesmente bisonha e ineficiente, além de perdulária e desrespeitosa às leis vigentes.   Daí porque emperra a transição, não entregando informações solicitadas, ou o fazendo apenas parcialmente, impedindo contatos com dirigentes de órgãos, etc. etc.

Quanto mais apartados, política e partidariamente, estiverem os dois governantes, mais essas divergências vêm à tona e reverberam, dificultando extrair-se todo o potencial que o arranjo transicional poderia oferecer, afetando o relacionamento presente e futuro entre as equipes da atual e da nova administração e, não raro, prejudicando o novo governo nos seus passos iniciais.

O processo político-eleitoral brasileiro tem amadurecido sobremaneira nos últimos tempos e se vem aperfeiçoando a cada eleição. Mas é preciso ainda desarmar os palanques da campanha após o pleito e incorporar a idéia de que a alternância de poder é fato corriqueiro na democracia e que o período transicional – que tem duração de quase 90 dias – nada mais é do que o lapso de tempo reservado aos preparativos para que a mudança de gestão se dê sem descontinuidades que possam vir a afetar o dia-a-dia do cidadão.
 
Maurício Costa Romão é Ph.D. em Economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Cine-Debate UCB: A POLÊMICA DO ABORTO & COMUNIDADE LGBTTT



                                                                ~~-~~
A POLÊMICA DO ABORTO & COMUNIDADE LGBTTT
 
No dia 25 de Novembro, a partir das 13h, ocorrerá, na Universidade Católica de Brasília, os Cine-debate com temáticas no âmbito do Aborto e Comunidade LGBTTT, finalizando o dia com um beijaço LGBTTT na entrada principal da Universidade.
 
Confira a programação em anexo, repasse, participe!
Precisamos do maior número possível de LGBTTT's para darmos visibilidade ao movimento dentro da Universidade!

Informações:

Nayara Marques Bontempo
Estudante de Enfermagem (5º sem) - Universidade Católica de Brasília
Coordenadora Geral - Centro Acadêmico de Enfermagem - CAEnf/UCB
(61) 8562 0342 / (61) 8233 1562

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma é a primeira mulher presidente do Brasil


Dilma é a primeira mulher presidente do Brasil

O Brasil elegeu neste domingo a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff. Com isso, ela se tornou a primeira mulher que irá assumir o Palácio do Planalto e comandar a nação.

Com 99,99% dos votos apurados, a candidata petista havia alcançado 56,05% dos votos válidos, 55.748.569  sufrágios. O tucano José Serra tinha 43,95% ou 43.708.704 votos. A abstenção atingiu 21,5%, mais de 29 milhões das 135 milhões de pessoas que compõem o eleitorado do País.

Ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma foi alçada já em 2008 à condição de candidata pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que começou então a dar as primeiras indicações de que gostaria de ver uma mulher ocupando o posto mais importante da República.

Em 31 de março deste ano, Dilma deixou a Casa Civil para entrar na pré-campanha. Cresceu nas pesquisas e chegou a ter mais de 50% dos votos válidos em todas elas, mas começou a oscilar negativamente dias antes do primeiro turno, após a revelação dos escândalos de corrupção na Casa Civil e da entrada do tema do aborto na campanha.

Logo no primeiro debate do segundo turno, reagiu aos ataques que vinha sofrendo e contra-atacou Serra. A partir daquele momento, a diferença entre os dois candidatos nas pesquisas parou de cair.
Dilma se torna neste domingo o 40º presidente da República brasileira.

A petista ganhou força para disputar o cargo ao assumir o posto de ministra-chefe da Casa Civil, em junho de 2005, após a queda de José Dirceu (PT) no escândalo do mensalão.

Com a reeleição de Lula e sem grandes rivais à altura no PT, Dilma tornou-se, depois do presidente, o grande nome do governo. Apesar do poder acumulado e do protagonismo que passou a exercer ao lado de Lula, até outubro de 2007 Dilma negava que seria candidata.

O pai de Dilma, o búlgaro Pedro Rousseff, veio para o Brasil na década de 1930. Já estava há cerca de dez anos no Brasil quando, numa viagem a Uberaba, conheceu a professora primária Dilma Jane Silva. Casaram-se e tiveram três filhos. Dilma nasceu em dezembro de 1947.

(infografia publicada no fechamento da segunda edição, com números parciais)
  Confira o 1°Pronunciamento de Dilma Rousseff como Presidenta Eleita do Brasil (31 de outubro)

Primeiro pronunciamento de Dilma como presidente eleita (31 de outubro) from BlogCafedoElias on Vimeo.



Texto do Jornal do Comércio:
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=45187

terça-feira, 26 de outubro de 2010

VOTO DO NORDESTE - "não resulta do Bolsa Família o voto nordestino pró-Dilma, ainda maior no segundo turno.”


 Tânia Bacelar pensa o Brasil

É com esta frase que Mauricio Dias, na coluna “Rosa dos Ventos”, da Carta Capital desta semana, conclui o artigo “Desconstrução do preconceito – não resulta do Bolsa Família o voto nordestino pró-Dilma, ainda maior no segundo turno.

Trata-se de observação exata, para este momento de mistificação generalizada, quando, segundo Boff, finalmente, a verdade vencerá a mentira.

Foi a Folha (*), sempre a Folha, de apropriadas ambiguidades, que, outro dia, ao dedicar 158 páginas a um resultado do Datafalha – nenhum país do mundo leva pesquisa eleitoral tão a sério quanto o Brasil do PiG (**) – , denunciou que a Dilma só existe por causa do Nordeste.

É o que, uma vez ouvi do Caio T. (de “Tartufo”) Costa, ao analisar a vitória do Lula (por 61% a 39%) contra o Alckmin: Lula não ganhou no Brasil, mas no Nordeste.

É assim a elite branca e separatista, no caso da elite paulista – e seus fâmulos – , uma espécie de Liga Norte do Berlusconi.

A doutrina da Revolução de 1932 voltará no dia 1º. de Novembro, quando a Folha “analisar” o resultado.

Cabe, então, preventivamente, ler o que o Mauricio Dias escreveu, a partir de considerações da respeitada professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco.

Os beneficiários do Bolsa Família – que mereceu tantos elogios de Mônica Serra – não são suficientes para explicar a votação da Dilma.

Há outros produtos da administração Lula para explicar o fenômeno da adesão do Nordeste a Lula e a Dilma, lembra a professora Bacelar.

O comércio varejista cresceu no Nordeste mais do que no Brasil inteiro.

 A Petrobrás investiu maciçamente na região, a começar pela refinaria Abreu e Lima, em Suape.

Clique aqui para ler “Suape – Pernambuco faz uma revolução”.

Os investimentos do PAC.

A Transnordestina.

Pecem.

Os estaleiros.

Lula, segundo a professora Bacelar, quebrou o mito de que a “a agricultura familiar era inviável”.

Ela é responsável por três de quatro empregos gerados no meio rural de todo o Brasil.

“O Nordeste liderou  o crescimento do emprego formal no País, com 5,9% ao ano, entre 2003 e 2009, taxa superior à de 5,4% do Brasil como um todo e do Sudeste, que foi de 5,2%.”

A elite branca (e separatista, no caso de São Paulo), como diz outro pernambucano sábio, Fernando Lyra, “não pensa o Brasil”.

Basta ver o Serra na televisão.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


Do Blog do PHA - ConversaAfiada

domingo, 24 de outubro de 2010

Geopolítica e Eleições 2010 - "Fundação denuncia esquema golpista patrocinado pela CIA no Brasil"

Print do Site da Fundação

Fundação denuncia esquema golpista patrocinado pela CIA no Brasil

20/10/2010 13:10, Por Redação, do Rio de Janeiro, Brasília e Washington


Não bastasse o governador eleito do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, denunciar "uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas" contra o então governo estabelecido, o jornal da Strategic Culture Foundation - a partir de sua seção norte-americana, especializada em geopolítica - publicou, nesta semana, reflexão na qual avalia o esforço dos setores mais conservadores dos EUA para denegrir as "imaturas" democracias da América Latina e do Caribe.
 
 No artigo intitulado "Elections in Brazil and the US Intelligence Community" (Eleições no Brasil e a comunidade de inteligência dos EUA), assinado pelo analista Nil Nikandrov, a instituição lembra que "o Brasil nunca pediu permissão para afirmar o seu direito à soberania e à posição de independência na política internacional em causa ao longo dos oito anos da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, e era amplamente esperado que G. Bush acabaria por perder a paciência e tentar domar o líder brasileiro. Nada disso aconteceu, embora, evidentemente, porque os EUA se sentiram sobrecarregados demais com problemas com a Venezuela para ficar trancado em um conflito adicional na América Latina".

A Estrategic Cultural Foundation aborda a questão geopolítica mundial. Leia os principais trechos do artigo:
 
"Falando aos diplomatas e agentes de inteligência na Embaixada dos EUA no Brasil em março de 2010, a Secretária de Estado, Hillary Clinton enfatizou: ’na administração Obama, estamos tentando aprofundar e alargar as nossas relações com um certo número de países estratégicos e o Brasil está no topo da lista. Este é um país que realmente importa. E é um país que está tentando muito duro para cumprir a sua promessa ao seu povo de um futuro melhor. E assim, juntos, os Estados Unidos e o Brasil tem que liderar o caminho para os povos deste hemisfério".

"Vale ressaltar que H. Clinton credita ao Brasil nada menos do que o direito de mostrar o caminho para outras nações, embora de mãos dadas com Washington. Para este último, o caminho é o de suprimir as iniciativas socialistas em todo o continente, de se abster de juntar projetos de integração regional a menos que sejam patrocinados pelos EUA, para se opor aos esforços dos populistas que visam formar um bloco latino-americano de defesa, e para impedir a crescente expansão econômica chinesa.
 
"Os EUA nomeou o ex-chefe do Departamento de Estado de Assuntos do Hemisfério Ocidental e um passaporte diplomático, com uma reputação dúbia Thomas A. Shannon como novo embaixador para o Brasil às vésperas das eleições no país. Ele se esforçou para convencer o presidente do Brasil para alinhar o país com os EUA e a adotar políticas internacionais menos independentes. Washington ofereceu vantagens ao Brasil como maior cooperação na produção de combustíveis renováveis, consentiram em que estabelece uma divisão da Boeing no país, e assinou uma série de acordos com as indústrias de defesa brasileira, incluindo a comissão de 200 aviões Tucano para a Força Aérea dos EUA.

"O presidente Lula não aceitou. Ele teimosamente manteve a parceria com a H. Chavez e Morales J. esteve em Havana e Teerã, condenou o golpe pró-EUA em Honduras, e até mesmo se comprometeu a desenvolver um setor nacional de energia nuclear. Ele propôs Dilma Rousseff - uma candidata séria, para esperar para orientar um curso da mesma forma independente - como seu sucessor. É alarmante para Washington, Dilma era membro do Partido Comunista e integrou a Vanguarda Armada Revolucionária - nomeadamente, com o pseudônimo de Joana d’Arc, na década de 1970. Ela foi traída por um agente do governo, depois presa, torturada sob os métodos que a CIA ensinou na Escola das Américas, e teve que passar três anos na cadeia. Por isso, mesmo décadas depois Rousseff não é a pessoa da qual se possa esperar que seja um grande fã dos EUA.
 
"A campanha de Dilma ganhou força gradualmente e as sondagens começaram a dar-lhe um lugar na corrida à frente do candidato de direita, José Serra. Jornalistas ’amigos-da-américa (do norte)’ e agentes da CIA sondaram a sua disponibilidade para forjar um acordo secreto com Washington e então descobriu-se que o plano não teve chance porque Rousseff firmemente prometera fidelidade ao curso do presidente Lula. A CIA reagiu a tentativa de manchar Rousseff, e os meios de comunicação de imediato lançaram o mito sobre o seu extremismo. Encontraram informantes da polícia, que posaram como "testemunhas" de seu envolvimento em assaltos a bancos para os quais pretendia pegar o dinheiro para apoiar o terrorismo no Brasil. A mídia conservadora travara uma guerra de classificações e elogios em coro pró-EUA, José Serra como o incontestado favorito e Dilma - como um rival puramente nominal. Estabilizada a situação, no entanto, Dilma Rousseff finalmente emergiu como a líder da campanha, graças a um apoio pessoal do presidente Lula.


"Ainda assim, a pontuação de Rousseff caiu de 3% a 4%, tirando a chance de vencer ainda no primeiro turno das eleições. O resultado do segundo turno dependerá em grande parte os defensores de Marina da Silva Vaz de Lima, do Partido Verde, que ocupou o terceiro lugar nas eleições, com 19% dos votos. A guerra entre os militantes do PV está declarada e Shannon irá tentar de todos os meios para quebrar uma aliança entre Serra e Silva.

"O time de Dilma visivelmente perdeu o tom triunfalista inicial - o segundo turno é um jogo difícil, e o adversário de seu candidato está implicitamente apoiado por um império poderoso e cheio de recursos que é conhecido por ter impulsionado rotineiramente candidatos à esperança para a vitória. A mídia no Brasil - O Globo, as editoras Abril, como Folha de S. Paulo e a revista Veja - estão ocupados em lavagem lavagem cerebral do eleitorado do país.
 
 "A equipe de Shannon está enfrentando a missão de ajudar ’novas forças’ menos propensas a desafiar Washington e ajudar a obter um controle sobre o poder no Brasil. A CIA emprega ex-policiais brasileiros demitidos de seus cargos por várias razões, para fazer o trabalho de campo como a vigilância, as invasões a apartamentos, roubos de dados de computador, e chantagem. Na maioria dos casos, estes são os indivíduos com tendências ultradireitistas que consideram Serra como seu candidato. Ministérios do Brasil, comunidades de inteligência e complexo militar-industrial estão fortemente infiltradas por agentes dos EUA. A embaixada dos EUA e do pessoal do consulado no Brasil inclui cerca de 40 dentre a CIA, DEA, FBI, agentes de inteligência e do exército, e têm planos para abrir dez novos consulados nas principais cidades do Brasil, como Manaus, na Amazônia.

"Embora o Departamento de Estado dos EUA esteja empenhado em reduzir o tamanho da representação diplomática no mundo, em um esforço para cortar despesas orçamentais, o Brasil continua sendo uma exceção à regra. O país tem um potencial para se estabelecer como uma força contrária na geopolítica para os EUA no Hemisfério Ocidental dentro dos próximos 15 a 20 anos e as administrações dos EUA - tanto republicanos quanto democratas - estão preocupados com a tarefa de impedi-la de assumir o papel".
 
Texto e Tradução: Correio do Brasil
Com inclusão de imagens do: MidiaNews, Google, Gazeta do Povo, Reuters

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Campus da Universidade Católica de Brasília - UCB deverá ficar interditado novamente!



Campus de universidade deve ficar interditado

O Campus I da Universidade Católica de Brasília continuará interditado por falta de alvará de funcionamento. A decisão é do juiz da 5ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal, que revogou a liminar que suspendia a interdição do campus I da Universidade Católica de Brasília pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefiz). O campus foi interditado em junho deste ano.

A União Brasiliense de Educação e Cultura (Ubec), que mantém a Universidade Católica de Brasília (UCB), entrou com Mandado de Segurança contra a Agefiz. Ela alegou que possui alvará de funcionamento regular e eficaz. A Ubec requereu liminar para determinar a revogação do Auto de Interdição e impedir que a Agência pratique novos atos semelhantes. No mérito, pediu que fosse reconhecida a ilegalidade do ato praticado. O pedido de liminar foi atendido pelo juiz.

A Agefiz informou que a interdição foi feita devido à Portaria 22, de 17/5/2010, que revogou os alvarás de localização e funcionamento de transição. Segundo a Agência, a falta de documentação necessária também confirma a legalidade do ato.

No processo, o auto da interdição trouxe como legislação infringida o Decreto 31.482/2010, que classifica as atividades educacionais como de risco, cujos estabelecimentos podem ser interditados sumariamente por falta de alvará. O Ministério Público manifestou-se pela concessão da segurança, levando em conta nova edição do decreto que retirou do rol de atividades de risco as entidades educacionais.

Na análise do mérito, o juiz afirmou que o auto de interdição foi expedido antes da edição do novo decreto. "Com a devida vênia à manifestação ministerial, o Decreto 31.482/2010 foi publicado em 22/6/2010, enquanto o auto de interdição expedido em 18/6/2010, logo, anterior à edição do novo Decreto, então (...), o ato configura-se completamente legal", afirmou.

O juiz também analisou se realmente existia o alvará de funcionamento que a Ubec alegava possuir. Mas, nos autos, a impetrante trouxe um alvará que autorizava o funcionamento de outra área e em horário diverso do local interditado. "Vê-se claramente (...) que o estabelecimento interditado (...) somente não obteve seu respectivo alvará de funcionamento, porque o imóvel em tela não possui carta de habite-se", observou o julgador.

Ele julgou improcedente o pedido da Ubec, além de condená-la ao pagamento das custas processuais. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-DF.

Processo: 2010.01.1.101.811-0



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ipea realiza no DF 1ª Conferência sobre o Desenvolvimento


Code terá entrada franca e reunirá importantes pensadores brasileiros. As inscrições vão até 5 de novembro
 
Entre os dias 24 e 26 de novembro, o Ipea vai levar ao centro da Esplanada dos Ministérios parte de seu conhecimento em pesquisas econômicas aplicadas para realizar a 1ª Conferência do Desenvolvimento (Code). A conferência tem entrada franca, e as inscrições podem ser feitas por meio de preenchimento de formulário no sítio www.ipea.gov.br/code, até 5 de novembro. Durante os três dias, serão nove painéis temáticos sobre o desenvolvimento, 88 oficinas do desenvolvimento e 50 lançamentos de livros. São esperados mais de 200 palestrantes e debatedores.

O objetivo da Code é criar um espaço nacional de debates no coração do Brasil, no momento em que o país volta a discutir planejamento e estratégias de desenvolvimento. Para isso, a conferência terá vídeos, apresentações de livros, instalações, projeções, oficinas e palestras. As exposições serão norteadas pelos sete eixos temáticos do desenvolvimento definidos pelo Ipea: inserção internacional soberana; macroeconomia para o desenvolvimento; fortalecimento do Estado, das instituições e da democracia; estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; infraestrutura econômica, social e urbana; proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental.

A programação é dividida em três tipos de atividades: painéis (palestras e debates mais abrangentes, no plenário da conferência); oficinas do desenvolvimento (exposições e mesas de debate realizadas em salas de aula dentro da Code); e desenvolvimento cultural (apresentações de experiências de desenvolvimento do ponto de vista da cultura). Para obter outras informações sobre as atividades e anotar o horário das que mais interessam, acesse www.ipea.gov.br/code.

Aberta a toda a sociedade, a conferência será realizada no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral de Brasília. Estarão presentes conselheiros de orientação do Ipea, diretores e técnicos de planejamento e pesquisa do Instituto, além de acadêmicos e autoridades de todas as regiões do país. O Ipea não arcará com despesas de transporte, alojamento e alimentação, que ficarão a cargo do público.

Fonte: Site do IPEA 

domingo, 17 de outubro de 2010

Revista mostra contradições de Serra sobre “homem-bomba do PSDB”

Capa da Revista IstoÉ
IstoÉ traz em sua capa duas declarações diferentes feitas pelo tucano em 24 horas

Texo do R7 [Portal]

Serra e Paulo Preto na inauguração do Rodoanel - SP
Em apenas 24 horas, o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, fez nesta semana duas afirmações contraditórias quando foi questionado sobre suas relações com o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e apelidado de “homem-bomba do PSDB”.

Em sua edição desta semana, a revista IstoÉ chama a atenção justamente para a atitude repentina de Serra, que parece ter mudado de ideia de um dia para o outro.

No dia 11, segunda-feira, ao ser questionado sobre o assunto, o candidato do PSDB disse não conhecer Paulo Preto. Na terça (12), porém, não apenas admitiu saber de seu trabalho, mas saiu em defesa do engenheiro.

O caso chegou à campanha eleitoral depois que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, questionou Serra sobre Paulo Preto em um debate realizado no último domingo (10). Naquele momento, Serra silenciou. Nada disse para contestar as afirmações de sua adversária, que lembrara que um assessor do tucano havia fugido com R$ 4 milhões.

Dilma se baseou em uma reportagem publicada também pela revista IstoÉ em agosto. Segundo a denúncia feita naquele momento, dirigentes do próprio PSDB acusavam Paulo Preto de sumir com pelo menos R$ 4 milhões, dinheiro que havia sido arrecadado para a campanha de Serra sem o conhecimento do partido.

Ante a omissão de Serra no debate de domingo, a imprensa passou a abordar o assunto em suas agendas de campanha e entrevistas coletivas. Já na segunda, o ex-governador de São Paulo, que estava em Goiânia (GO), foi questionado sobre a acusação feita pela adversária e disse não conhecer Paulo Preto. Serra, inclusive, chegou a se referir ao episódio como um “factoide”.

- Não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factoide criado para que vocês [jornalistas] fiquem perguntando.

Tudo mudou, porém, depois que o próprio engenheiro concedeu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada terça, em que ele desmentiu o presidenciável e aproveitou para mandar um “recado” a ele.

- Não somos amigos, mas ele [Serra] me conhece muito bem. Até por uma questão de satisfação ao país, ele tem que responder. Não tem atitude minha que não tenha sido informada a ele. Acho um absurdo não ter resposta, porque quem cala consente.

Serra, então, parece ter recuperado a memória sobre Paulo Preto. No mesmo dia, durante uma visita a Aparecida, no interior de São Paulo, ele foi novamente indagado sobre sua relação com Paulo Preto.
Dessa vez, porém, como se ainda não tivesse se pronunciado sobre o assunto, ele não apenas admitiu conhecer o “homem-bomba do PSDB”, mas ainda fez elogios a ele e o defendeu de acusações.

- Evidente que eu sabia do trabalho do Paulo Souza, que é considerado uma pessoa muito competente e ganhou até prêmio de engenheiro do ano. A acusação contra ele é injusta. Ele é totalmente inocente. Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele durante sua atuação no governo.

O tucano parece ter entendido a mensagem de Paulo Preto. Afinal, são várias as evidências de que ele e o engenheiro mantiveram, sim, colaboração.
 

 O “homem-bomba do PSDB” foi diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), cargo a partir do qual ele pôde participar de algumas das principais obras da gestão tucana em São Paulo, como o Rodoanel.

Seus métodos de atuação, inclusive, chegaram a irritar o atual governador paulista, Alberto Goldman. Em um e-mail enviado por ele em novembro do ano passado ao então governador, José Serra, de quem era vice, Goldman se queixava de Paulo Preto.

A mensagem foi citada pela revista IstoÉ em sua edição desta semana e dizia o seguinte: “Ele [Paulo Preto] é vaidoso e arrogante. Fala mais do que deve, sempre. Parece que ninguém consegue controlá-lo. Julga-se o super homem. Não tenho qualquer poder de barrar ações. Mas tenho o direito, e a obrigação, de opinar e tentar evitar desgastes desnecessários”.

Paulo Preto permaneceu no cargo até abril deste ano. Coincidência ou não, foi quando Serra deixou o governo do Estado para se candidatar à Presidência, dando lugar a Goldman.

De acordo com a IstoÉ, o engenheiro teve um peso enorme na gestão tucana em São Paulo. “Os contratos administrados pelo engenheiro estavam entre as principais obras do país, somando R$ 6,5 bilhões”, diz a reportagem.

A revista também chama a atenção para o patrimônio milionário do ex-diretor da Dersa. “Na declaração de bens de 2009, Paulo Vieira de Souza diz possuir um patrimônio avaliado em R$ 3,4 milhões, sendo R$ 560 mil referentes a imóveis”, afirma o texto.

Ainda não se sabe de onde teriam saído os R$ 4 milhões supostamente arrecadados por Paulo Preto. Mas, caso o desvio seja comprovado, o caso poderia configurar caixa dois eleitoral, uma prática criminosa. Na entrevista que concedeu à Folha, Paulo Preto exalta seu próprio trabalho e diz que sempre pagou em dia as empreiteiras.

- Ninguém nesse governo deu condições das empresas apoiarem mais recursos politicamente do que eu, ninguém fez mais do que eu fiz. O que é o gestor público, o que é a empresa privada? Todas elas, sabidamente, desde D. Pedro, apoiam campanha política.

Paulo Preto se diz como “o cara desse governo mais bem-sucedido em entrega de empreendimentos.”

- Se o empresário tiver lucro, ele apoia. Se não tiver, não apoia. Na lista de apoio aos candidatos estará o nome de todas essas empresas [que trabalharam no Rodoanel, Marginal e Jacu Pêssego].

Confira aqui os detalhes do que apurou a Revista IstoÉ:



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ciclo de Conferência Michael Löwy na PUC-SP



Depois do Seminário Internacional de Educação em Direitos Humanos outra boa pedida é o Ciclo de Conferências Michael Löwy, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUC-SP.



Michael Löwy (São Paulo, 6 de maio de 1938) é um pensador marxista brasileiro radicado na França, onde trabalha como diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique. É um relevante estudioso do marxismo, com pesquisas sobre as obras de Karl Marx, Leon Trótski, Rosa Luxemburgo, Georg Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin.

Biografia

Filho de imigrantes judeus de Viena (Áustria), Michael Löwy nasceu em São Paulo, cidade em que passou sua infância e adolescência. Em 1960, formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, tendo sido colega de Roberto Schwarz e Gabriel Bolaffi. No ano seguinte, partiu para a França, onde estudou sob a orientação de Lucien Goldmann, concluindo o Doutorado em 1964, com uma tese sobre a Revolução comunista na obra do jovem Marx.

Após alguns anos vivendo em Israel, Löwy retornou à França em 1969, passando a trabalhar na Université de Paris VIII como assistente de Nicos Poulantzas. Em 1976, obteve o doctorat d’État com uma tese sobre a evolução política do jovem Lukács.

Em 1978, tornou-se professor de Sociologia no Centre National de la Recherche Scientifique (Paris) e depois diretor de pesquisas da mesma instituição.

Nos anos 1950-1960, fez parte da Liga Socialista Independente, organização que contava com Hermínio Sacchetta entre seus dirigentes. Em 1968, associou-se à Quarta Internacional, tornando-se membro da Primeira seção, a Ligue Communiste. Em sua militância revolucionária, Löwy esteve constantemente atento às lutas sociais e organizações políticas de esquerda, das Ligas Camponesas ao MST, sem mencionar o PT e o PSOL.

Foi casado com Ilana Zelmanowicz, com quem teve dois filhos. Em 1980, o casal se separou e Löwy casou-se com Eleni Varikas, historiadora de origem grega.

* - Com informações do Wikipedia

Descoberta origem dos e-mails e boatos infames contra a Candidata do PT, Dilma Rousseff

Por Rodrigo Viana

Não é difícil rastrear os caminhos da boataria que atingiu Dilma Rousseff, poucas semanas antes do primeiro turno. A campanha do PT parece não ter levado a sério a ameaça. E a  boataria e as calúnias prosseguem.

O jornalista Tony Chastinet – colega com quem tive o prazer de dividir o prêmio Vladimir Herzog em 2007, e com quem produzi a série de reportagens sobre as centrais clandestinas de tortura durante a ditadura – fez um levantamento minucioso sobre a origem de um desses e-mails caluniosos. Não precisou de dinheiro, nem de ferramentas especiais. Usou basicamente o “Google”. Gastou alguns minutos e usou a experiência de quem já investigou dezenas e dezenas de picaretas em suas reportagens investigativas.

Tony Chastinet descobriu que o email partiu de gente ligada à extrema-direita. Gente com nome, sobrenome e endereço. Confiram…

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O CAMINHO DA CALÚNIA
por Tony Chastinet

Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa. 

Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site www.tribunanacional.com.br.

Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste link http://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.

O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.

Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).

Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.

Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.

Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.
No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.

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Fontes:
– Tribuna Nacional – Dados do Registro.br
entidade: Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares
documento: 026.990.366/0001-49
responsável: Nei Möhn
2 – Nei Mohn
3 – Filho de Nei
Bruno Degrazia Möhn (OAB/DF 18.161)
Trabalha no escritório Menezes e Vieira Advogados Associados – http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=11457 – artigo defesa ppp
Escritório contratado por Dantas no caso BRT – http://www.anapar.com.br/noticias.php?id=6602 

  
Originalmente Publicado no Blog do Jornalista Rodrigo Viana: 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dilma e o 2º turno: entre o fundamentalismo religioso e a rebeldia utópica

Louise Caroline
Dilma e o 2º turno: entre o fundamentalismo religioso e a rebeldia utópica
*por Louise Caroline

            A expressiva votação obtida por Marina Silva impressiona pelos números, mas, principalmente, pelo conteúdo. Marina conseguiu agregar à sua candidatura dois espectros ideológicos absolutamente extremos: o fundamentalismo religioso e a rebeldia utópica. Em Marina votaram os evangélicos e religiosos mais radicais, assustados pelo suposto ateísmo de Dilma e por sua posição dúbia acerca da discriminalização do aborto, do casamento gay e do uso de drogas. Nesse sentido, desenvolveu-se uma ofensiva de igrejas e religiosos, amplificada por boatos cibernéticos plantados para difundir o medo e o preconceito contra a candidata petista.
            De outro lado – bem do outro lado mesmo – também votaram em Marina muitos cidadãos adeptos de uma rebeldia utópica. Sobretudo jovens e pessoas consideradas “alternativas” na sociedade. Artistas, intelectuais, universitários, o chamado público cult, essencialmente localizado na classe média e portador de um comportamento social radicalmente progressista. Essas pessoas viram em Marina um discurso diferente, uma fala a favor de uma nova cultura política, dos sonhos e das utopias de um mundo melhor.
            Não dedicarei esforços na dissecação desse um discurso que, em minha opinião, é bonito, mas não é factível nessa candidatura de Marina, nem na conjuntura atual da política brasileira. Inclusive, identifico nela mais contradições do que a própria composição de seu eleitorado. Mas ela não está no segundo turno e, portanto, não cabe mais desenvolver argumentos contra sua candidatura.
O fato que trago à baila é que em Marina votaram gays e anti-gays (ou, pra ser politicamente correta, os defensores da diversidade sexual e os homófobos); votaram nela evangélicos e artistas ateus; votaram nela direitistas insatisfeitos com a brandura de Serra e esquerdistas desconfiados das alianças de Dilma. Ao ficar em cima do muro, Marina, surpreendentemente, em vez de se indispor com os dois limiares do espectro ideológico, foi escolhida por consideráveis setores dos dois.
            O PT terá que fazer uma escolha. Entre o fundamentalismo religioso e a rebeldia utópica. Não só para ganhar as eleições, mas, principalmente, para politizar o processo eleitoral, construir as bases para uma profunda transformação da política brasileira, empolgar novas gerações na luta por um mundo diferente.
            Infelizmente, sob o bombardeio midiático e caluniador dos últimos dias do primeiro turno, a reação do PT e de Dilma foi a favor do primeiro viés e não do segundo. Em vez de reafirmar suas posições progressistas – mesmo que polêmicas – Dilma preferiu escondê-las para não causar tumulto e assegurar a vitória no primeiro turno. Perdeu, assim, apoios importantes dentre os setores da rebeldia utópica. Sua busca por reafirmar Deus em cada discurso e o cúmulo de dar destaque ao batizado católico de seu neto, às vésperas da eleição, soaram quase tão artificiais quanto José Serra sorrindo, cantando e lendo a Bíblia em seu programa eleitoral.
            O PT tem a obrigação histórica de retirar da campanha a questão religiosa como um fator importante na escolha eleitoral. E se Dilma fosse praticante de religiões afro-brasileiras, não poderia ser presidenta do Brasil? Se fosse atéia, teria que esconder sua identidade?  A laicidade do Estado precisa ser defendida não na letra morta da Constituição, mas, sobretudo, em momentos de tensão e debate político. A única postura religiosa que se deve e pode esperar de um político é seu respeito à liberdade de credo para todos. Mais que isso é uma regressão inaceitável num país tão diverso quanto o nosso. Errou a campanha de Dilma ao se submeter ao tom religioso imposto pela mídia, por Serra e por Marina. Errou e assim perdeu importantes votos a favor da verde, mas perdeu, principalmente, a oportunidade de travar um bom debate político acerca do verdadeiro respeito à liberdade religiosa.
            Também outras questões polêmicas foram disfarçadas para não gerar desgaste. Ressalte-se, contudo, que essa não é uma peculiaridade de Dilma ou das eleições brasileiras. A Ciência Política identifica o fenômeno da aproximação ideológica e da fuga de questões polêmicas como uma conseqüência natural da bipolarização eleitoral. Embora o Brasil tenha um desenho multipartidário, de fato, somente o PT e o PSDB se apresentam como partidos nacionais em disputa pelo comando maior do país. Assim, os dois tendem a se firmar no centro, para não afastar, a priori, determinados setores da sociedade.
            Acredito que essa aproximação, além de não ser real e, portanto, tratar-se apenas de um discurso fingido no processo eleitoral, não contribui para o desenvolvimento da nossa democracia tampouco para o engajamento de mais pessoas na política e nas decisões coletivas do país, bandeiras fundantes do PT.
            A política existe justamente para disputarmos opiniões e a hegemonia de idéias na sociedade. O processo eleitoral deve exercer esse papel, mesmo que nos custe alguns votos. No caso, a neutralização do discurso da candidata Dilma – que, na essência, representa os pensamentos de esquerda e mais progressistas, além de não contribuir para o debate a fez perder votos e não arrematar as eleições no primeiro turno.
            Agora, diante da nova fase eleitoral, caberá ao PT e à nossa candidata em busca dos eleitores de Marina decidir se priorizará os religiosos, os utópicos ou tentará abocanhar os dois e correr o risco de ficar sem nenhum deles.
            Minha contribuição é no sentido de incentivar a escolha da rebeldia utópica como prioridade para a nova fase da eleição e, quem sabe, do próprio mandato presidencial. Por mais que o Brasil tenha melhorado tanto quanto sabemos depois dos oito anos de Lula; por mais que Serra represente o retrocesso e a elite político-econômica do país; por mais que sejam tantas as conquistas concretas para a população brasileira; há que se falar dos sonhos.
            Não foi pra chegar até aqui que lutamos contra a ditadura, construímos o PT e governamos o Brasil. Foi pra chegar muito mais longe que isso. Foi pra chegar num lugar onde a miséria não existe e onde as pessoas são respeitadas pelo que são e não pelo que têm. Existimos para fazer da política uma coisa coletiva e não esse jogo de interesses privados que ainda dita as regras do jogo político nacional. Ousamos lutar e vencer para que todas as pessoas pudessem ter o direito de amar livremente, de falar e ser ouvidas igualmente, um lugar sem monopólio do conhecimento nem dos direitos. Portanto, o discurso de que “está tudo muito bem" não é o nosso discurso e não convence os que acreditam nos sonhos, nas utopias e vivem em busca de uma sociedade de igualdades e felicidade para todos e todas.
            Tenho certeza de que a candidatura de Dilma representa tudo isso. De que o PT carrega em sua essência e em seu um milhão de filiados as idéias socialistas mais bonitas e democráticas que já existiram no mundo. Mas não dissemos isso. Escolhemos para nossa campanha o tom pastel da neutralidade e não o vermelho das nossas idéias.
            Assim, passamos superficialmente por questões tão vitoriosas de nosso governo como as relações internacionais, sem defesas ideologicamente explicadas sobre por que priorizar relações com Irã, África e América Latina. Acabamos sendo mal compreendidos e perdendo votos de mundialistas empolgados com essa nossa coragem internacional.
            Até mesmo a franca exposição do monopólio das comunicações e da partidarização da mídia se restringiu a discursos inflamados de Lula e Dilma que rapidamente foram contidos por pronunciamentos brandos em defesa da “liberdade de imprensa”.  Acabamos perdendo a oportunidade de debater claramente uma proposta para a democratização dos meios de comunicação, bem como os votos de militantes dessa causa (estes sim travaram uma disputa aberta com a grande mídia a partir dos blogs e redes sociais).
            Ainda, acrescente-se o debate rasteiro, preconceituoso e distorcido que assistimos acerca da discriminalização do aborto e do uso de drogas. Especialistas e militantes da área saíram indignados desse primeiro turno, pela forma oportunista que alguns atacaram e outros disfarçaram essas bandeiras. Enquanto a América do Sul e o mundo avançam na legalização do casamento gay, nossa candidata apresentou logo o ex-marido para tirar qualquer dúvida acerca das acusações sobre sua sexualidade. E se ela fosse lésbica, não poderia ser presidenta do Brasil?
            A pasteurização da política merece artigos e debates intensos, mas devem ser feitos posteriormente. Agora, no ímpeto de ganharmos as eleições e impedir a vitória de Serra e sua campanha semi-fascista, precisamos conquistar votos. Pois não é que a forma mais simples de fazê-lo é justamente saindo da pasteurização e escancarando a maneira como vemos o mundo?
            Na escolha entre o fundamentalismo religioso e a rebeldia utópica identificada nos vinte milhões de votos de Marina Silva, não vejo outra opção senão aquela já feita pelo PT 30 anos atrás: a rebeldia utópica somos nós. Dilma Presidenta do Brasil!

           
* Louise Caroline, 27 anos, é vice-presidente do PT de Pernambuco e mestranda em Ciências Políticas pela UFPE.

Serviço:
 
Louise Caroline, também é Secretaria Especial da Mulher da Cidade de Caruaru, interior de Pernambuco. Foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes - UNE de 2005 a 2007 e, com base nessa experiência lançou o livro "Outras Palavras" em 2009, que reune os textos e artigos sobre o Movimento Estudantil, a Educação e Política em geral. Os 15 textos foram reunidos numa edição, publicada pela Editora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no livro.

Boa parte dos artigos é voltada para a área educacional, defendendo o sistema de cotas, da reforma universitária e das eleições diretas para reitor. O prefácio do livro é do jornalista Ricardo Noblat e o texto da orelha é de autoria de Fernando Lyra. (Da Redação do pe360graus.com)

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